segunda-feira, 16 de abril de 2012

Farrapos de poesia

Maria Luís, Teresa e João Regueiras

 
E hoje foi assim, no intervalo da manhã, o TEINA brindou-nos com "farrapos de poesia"!

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


Fernando Pessoa

Dar voz a um poeta

5 poetas, 5 vidas, 5 poemas


Vasco Graça Moura
Poeta, ficcionista, ensaísta, dramaturgo, cronista, tradutor, nasceu no Porto a 3 de Janeiro de 1942 e viveu na Foz do Douro até 1954, altura em que a família se fixou em Matosinhos,. Estudou no Colégio Brotero e licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa em 1966, exercendo a advocacia na sua cidade natal durante alguns anos. Foi secretário de estado, diretor de programas da RTP, administrador da Imprensa Nacional Casa da Moeda e diretor do Serviço de Apoio à Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian, entre outros. Atualmente é  presidente do Centro Cultural de Belém. Pela sua obra literária, recebeu, ente outros, o  Prémio Pessoa e o Prémio Virgílio Ferreira. É o poeta homenageado na “ poesia está na rua” 2012.


experiência do sono

o  mundo envelhecera

e nada era indiferente

agora ou antes.

mas a experiência

pesava-lhes na alma

e tinham sono. 
na biblioteca
flutuam folheadas
obscuras aguarelas.

in Os rostos comunicantes


Começamos a nossa semana dedicada à poesia com livros novos!
Este é o local onde podes encontrar, sempre, as últimas novidades!


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Escritor do mês - Abril - Vasco Graça Moura


   Escritor, ensaísta, poeta, dramaturgo, cronista, político e tradutor português, nasceu na Foz do Douro, Porto,  a 3 de Janeiro de 1942.
Auto-retrato com a musa
Vejo-me ao espelho: a cara
severa dos sessenta,
alguns cabelos brancos,
os óculos por vezes
já mais enbaciados.
Sobrancelhas espessas,
nariz nem muito ou pouco,
sinal na face esquerda,
golpe breve no queixo
(andanças da gilette)

(...) Vasco Graça Moura

Para conheceres melhor a sua vida e obra, visita a exposição patente na Biblioteca Geral.

Retalhos poéticos

... porque "a poesia está na rua" em Santo Tirso, e no INA, também...


quinta-feira, 12 de abril de 2012

O meu livro

O meu livro: queres ler?

Sérgio Correia, Prefeito do INA, sugere:






O livro:
A minha sugestão é “A cidade sem tristeza” do escritor indiano Anosh Irani.

Razões da escolha:

A “cidade sem tristeza “ é como um murro no estômago. Não conseguimos ficar insensíveis ao mundo cruel que ele descreve, porém, no meio de tanta crueldade, a amizade e a cumplicidade consegue florescer. Diz-nos que por mais dificuldades que surjam, existe sempre um canto de esperança, interpretado por uma voz melodiosa, a que não ficamos indiferentes e nos dá coragem para prosseguir o caminho.
Percebemos que o mundo é muito complexo, e que há locais onde a sobrevivência exige esforços sobre-humanos e que a realidade que vivemos aqui é muito diferente daquela que é vivida noutros locais do planeta.

 Na minha vida, o ato de ler está constantemente presente e assume uma importância preponderante. Faço minhas as palavras do escritor Carlos Ruiz Zafón, no seu livro "A sombra do vento", que recomendo vivamente:
“… a arte de ler está a morrer muito lentamente, que é um ritual intimo, que um livro é um espelho e que só podemos encontrar nele o que já temos cá dentro, que ao ler aplicamos a mente e a alma, e que estes são bens cada dia mais escassos.”.
 
Os livros são como baús onde vou buscar heróis, beleza, aventuras, viagens, emoções e valores que me orientam e ajudam a transformar na pessoa que sou.

Título: A cidade sem tristeza
Autor: Anosh Irani
Tipo de documento: livro
Editora: Círculo de Leitores
ISBN: 978-972-759-892-2

Biografia


Tenho 40 anos.
Casado e pai de dois filhos.
Tenho o 12ºano, na área da agricultura – outra das minhas paixões – e um curso de massagista.
Comecei a minha vida profissional como futebolista e posteriormente como Prefeito, aqui no INA.



 ....e agora ofereço o livro à biblioteca para que o possas ler...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

N@vegar com segurança

Paulo Calejo e Rafaela Ribeiro

Somos a Rafaela Ribeiro e o Paulo Calejo, alunos do 3º ano, do curso profissional de Técnico de Informática de Gestão, do Instituto Nun’Alvres e, no âmbito da nossa Prova de Aptidão Profissional, estamos a desenvolver um projeto subordinado ao tema: N@vegar com segurança”. Pretendemos realizar  três sessões informativas sobre as questões da “segurança na internet” para os alunos do 4º ano.
Estas sessões têm como destinatários os alunos do INA e das escolas da nossa área pedagógica. Decorrerão nos meses de Abril e Maio nas instalações da nossa escola.
Este projeto nasceu por sugestão da Biblioteca do INA e, desde o primeiro momento, contamos a sua constante colaboração.

terça-feira, 10 de abril de 2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

2 de Abril: Dia Internacional do Livro Infantil

Cartaz DGLB. Il. Yara Kono


 
 
 
“Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro. Na verdade não era só um, mas muitos os contos que enchiam o mundo com as suas histórias de meninas desobedientes e lobos sedutores, de sapatinhos de cristal e príncipes apaixonados, de gatos astutos e soldadinhos de chumbo, de gigantes bonacheirões e fábricas de chocolate. Encheram o mundo de palavras, de inteligência, de imagens, de personagens extraordinárias. Permitiram risos, encantos e convívios. Carregaram-no de significado. E desde então os contos continuam a multiplicar-se para nos dizerem mil e uma vezes: “Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro…”

Quando lemos, contamos ou ouvimos contos, cultivamos a imaginação, como se fosse necessário dar-lhe treino para a mantermos em forma. Um dia, sem que o saibamos certamente, uma dessas histórias entrará na nossa vida para arranjar soluções originais para os obstáculos que se nos coloquem no caminho.

Quando lemos, contamos ou ouvimos contos em voz alta, estamos a repetir um ritual muito antigo que cumpriu um papel fundamental na história da civilização: construir uma comunidade. À volta dos contos reuniram-se as culturas, as épocas e as gerações, para nos dizerem que japoneses, alemães e mexicanos são um só; como um só são os que viveram no século XVII e nós mesmos, que lemos um conto na Internet; e os avós, os pais e os filhos. Os contos chegam iguais aos seres humanos, apesar das nossas grandes diferenças, porque no fundo todos somos os seus protagonistas. Ao contrário dos organismos vivos, que nascem, reproduzem-se e morrem, os contos são fecundos e imortais, em especial os da tradição oral, que se adequam às circunstâncias e ao contexto do momento em que são contados ou rescritos. E são contos que nos tornam seus autores quando os recontamos ou ouvimos.

E também era uma vez um país cheio de mitos, contos e lendas que viajaram durante séculos, de boca em boca, para mostrar a sua ideia de criação, para narrar a sua história, para oferecer a sua riqueza cultural, para aguçar a curiosidade e levar sorrisos aos lábios. Era igualmente um país onde poucos habitantes tinham acesso aos livros. Mas isso é uma história que já começou a mudar. Hoje os contos estão a chegar cada vez mais aos lugares distantes do meu país, o México. E, ao encontrarem os seus leitores, estão a cumprir o seu papel de criar comunidades, de criar famílias e de criar indivíduos com maior possibilidade de serem felizes.”

Mensagem de Francisco Hinojosa, escritor mexicano, a quem coube, a convite do IBBY - The International Board on Books for Young People, escrever o texto comemorativo do Dia Internacional do Livro Infantil, 2 de Abril de 2012.
A tradução para português é de Maria Carlos Loureiro, da DGLB.